Business Partners: 5 responsabilidades em Mudanças

21 de janeiro de 2020

Qual é a função de um Business Partners dentro de uma organização. Qual é a diferença entre eles e o RH corporativo? Qual o motivo para que a organização envolva-os em processos de Gestão de Mudança?

Esse texto não é destinado apenas para quem atua na área de BP, ele é destinado, também, para os seus clientes (diretores, gerentes, supervisores, etc.) e para o RH corporativo. Ele irá te ajudar a entender o motivo pelo qual esses profissionais precisam estar envolvidos e qual a melhor maneira de envolvê-los.

Baseado em minhas experiências dentro das organizações, em projetos de Gestão de Mudanças, selecionei as cinco principais características de um Business Partners que, em minha opinião, são, extremamente, importantes para ajudar as organizações que estão passando por um processo de mudanças e que podem contar com a estrutura de ter os BPs em seu quadro de funcionários.

As demandas relacionadas a essas funções são diversas, mas, a maioria acaba sendo muito parecida:

  •  Business Partners se queixando por colocaram muita energia em suas obrigações do cargo e não conseguirem enxergar os resultados acontecendo com seus clientes;
  • Business Partners se queixando da falta de engajamento, mesmo depois de tentarem diversas ações;
  • Os clientes se queixando que não se sentem apoiados durante um processo de mudança e que não conseguem entender exatamente o que está acontecendo, por esse motivo, eles não conseguem mudar.  

A partir do momento que os Business Partners conseguem entender as suas responsabilidades dentro da mudança, a maioria desses problemas são solucionados e os clientes diminuem a resistência.

Com as cinco características que eu vou apresentar abaixo, você irá conseguir que seus clientes internos mudem através do vínculo, sintam-se preparados para pensar em mudar, sintam vontade de mudar e se sintam suportados na mudança. Com isso, toda a energia depositada em suas ações deixa de ser desperdiçada e se transforma em resultados de fato.

Atenção: Quando falamos sobre esse assunto é muito importante que os Business Partners entendam que eles só conseguirão resultados com pessoas, usando ferramentas de pessoas e não usando ferramentas de processos.

Quando falamos de Gestão se mudanças estamos falando sobre qualquer mudança que uma organização esteja implementando: desde mudança de comportamento até implementação de novos treinamentos.   

Para começar, os Business Partners são as pessoas de RH que costumam estarem mais próximos dos clientes internos e dos gestores, por isso, sentem as dores de um processo de mudança.  Deixá-los de fora das implementações estratégicas da mudança é a maior besteira que uma organização pode fazer, pois são os responsáveis por suportar as pessoas durante a mudança.

Se você leu nosso texto “As 5 principais responsabilidades do RH em projetos de Mudanças”, que publicamos anteriormente, você deve lembrar que uma das responsabilidades do setor é suportar uma organização na mudança. Suportar envolve colocar o seu Business Partners prontos e capacitados para ajudar os colaboradores da organização.

Diante de todas essas informações iniciais, as cinco características que considero muito importante para todos os BPs são:

1. DAR SUPORTE

Os líderes (todos os graus de liderança) não se sentem tão suportados pela mudança. Geralmente, dentro de um processo de mudança, as pessoas vão lidar com as próprias emoções, vão perder um porto seguro emocional e as suas crenças limitantes vão estar ativadas. As pessoas precisam de suporte para mudar e, muitas vezes, sentem-se sozinhas durante todo o processo.

A maior dúvida que surge durante o processo de mudança é saber quem, dentro da organização, está responsável por ajudá-los a elaborar e entender o seu papel na mudança. E os Business Partners devem ter consciência que esse é um dos seus principais papéis durante a mudança: Dar suporte através de conversas individuais; Fazer o desdobramento do que está acontecendo no âmbito global para uma ação prática do seu cliente interno e; Fazer reuniões com o time (ou com uma pessoa) e ajudá-los a pensar sobre o que significa essa mudança para a organização; o que muda na rotina das atividades diárias; o que muda nos relacionamentos internos ou nas regras culturais da empresa.

Essas ações, por menores que sejam, geram suporte emocional e engajam as pessoas para a mudança que está acontecendo.

2. ESQUECER OS JULGAMENTOS

Quando falamos de Gestão de Mudança devemos sempre lembrar que envolve, principalmente, pessoas. Quando lidamos com relacionamentos humanos, temos que estar preparados para lidar com diversas situações.

Vamos imaginar uma situação em que existe uma rivalidade entre o Business Partners e seu cliente, ambos já possuem ideias pré-concebidas que dificultam o suporte à mudança. Em teoria, o Business Partners deve esquecer essas ideias pré-concebidas e deixar o julgamento fora dessa relação, pois, independente da sua relação com o cliente (seja uma relação boa ou ruim), todos as pessoas sofrem da mesma maneira e é função do Business Partners entender os históricos de cada um e ajuda-lo nesse período.

Entretanto, estamos falando de seres humanos e a prática não é simples como a teoria. Portanto, em uma situação como essa, é importante que o Business Partners seja honesto consigo mesmo e se já possuir histórico negativo ou não acreditar que eles podem e querem mudar, peça auxílio de outro Business Partners, do RH ou de uma consultoria interna.

A relação entre um Business Partners e seus clientes devem ter como base a confiança e o vínculo. Sem vínculo, não se muda comportamentos e mindset. Existem diversos estudos – tanto na neurociência, quanto na psicologia social e comportamental – que para ajudar o outro a mudar, é preciso acreditar nessa mudança. Caso contrário, além de não ajuda-lo, você poderá dificultar ainda mais essa mudança.

Se você é Business Partners e, realmente, acredita que pode ajudar um cliente que você já tenha um histórico negativo, é sua responsabilidade refazer essa história entre vocês e, para isso, existem diversas técnicas em Gestão de Mudanças para criar vínculos.

3. CAPACITAÇÃO DOS BUSINESS PARTNERS

Apenas essas duas primeiras características já são muito difíceis de serem aplicadas. Ambas demandam tempo e disposição emocional e, isso, nos leva para a terceira característica que considero muito importante. Os Business Partners precisam ser capacitados em Gestão de Mudança e, também, precisam ser suportados durante o processo.

É importante que a organização não esqueça que os business partners estão diretamente envolvidos na mudança, eles também precisam mudar.  

São eles que percebem como as pessoas estão reagindo ao processo. São eles que são cobrados em relação a informações que, muitas vezes, não possuem. É importante criar um espaço de capacitação ou mentoria que dê esse suporte para esses profissionais. É importante que os Business Partners tenham com quem conversar sobre tudo o que estão vendo. Esse espaço é essencial para que eles tenham ajuda e possam endereçar as suas percepções de maneira coesa, alinhando a necessidade dos colaboradores com a necessidade da organização.

A organização que se recusa a dar suporte para os Business Partners e para os seus colaboradores perdem investimento financeiro e eficiência em suas ações de mudança.

Dica de ouro: se você é Business Partners não espere a organização oferecer essa capacitação, hoje, é possível buscar auxílio em diferentes formatos: livros, desenvolvimento de habilidades, ferramentas e vídeos no Youtube. Em meu canal, existem diversos vídeos que podem te ajudar em relação a isso.

4. EMPATIA

Muito se fala sobre empatia, ela é uma habilidade necessária para todos, porém quando falamos sobre os Business Partners, ela torna-se essencial. Sem empatia, não há uma boa Gestão de Mudanças e, com certeza, haverá clientes sofrendo enquanto estão mudando ou tentando mudar.

Treinar os Business Partners para terem um olhar mais empático durante o processo de mudanças, através de ferramentas que ajudem a mapear medos ou entender crenças limitantes das pessoas e da própria organização, é a base para um processo de mudanças bem gerenciado. A ferramenta do mapa da empatia é muito aplicável e traz resultados muito bons durante o processo.

Novamente, além de Business Partners, trata-se de seres humanos, portanto, eles vão reagir emocionalmente e, também, terão questões relacionadas à organização.  Dessa forma, não podemos negligenciar que esses fatores podem influenciar a sua ajuda em relação ao outro.

Aprender a ser empático e assertivo é essencial para que os Business Partners ajudem as pessoas a formularem soluções de maneira efetiva.

5. PROMOVER A REFLEXÃO

Para que um Business Partners consiga fazer uma boa mudança, é preciso mapear os medos e promover uma reflexão de seu comportamento e do comportamento do outro.  

Aplicar ferramentas com as pessoas, para que elas possam fazer essa autorreflexão do que estão vivenciando dentro e fora da organização, ajuda-os a entender o que estão passando e pensar nos seus papéis. Mas, é importante lembrar que existe uma diferença muito grande entre dizer ao outro que a responsabilidade é dele – isso é um julgamento – e dizer que vocês estão juntos nessa responsabilidade. Os Business Partners são as pessoas que vão estar próximas aos gestores, serão eles os responsáveis por ajudar esses líderes a refletirem sobre as suas ações. A relação de confiança é essencial entre eles, o Business Partners precisa falar a verdade, pois, muitas vezes, os líderes podem ter a intenção de ajudar os colaboradores e fazer exatamente o contrário. É obrigação de o Business Partners demonstrar e fazê-lo refletir sobre o melhor caminho que seguirão para a mudança acontecer.

Apesar de parecer que são cinco características básicas, elas são muito importantes para que você consiga ter resultados diferentes das quais está acostumado a ter, pois elas maximizam os resultados, fazem com que as pessoas tenham mais disposição em mudar e criam um ambiente de confiança entre o Business Partners e o cliente interno. Já escutamos, diversas vezes, que, apesar de tentar todas essas ações, as pessoas continuam resistentes e, por isso, vou adicionar uma sexta característica importante:

6. ADEQUAR AS AÇÕES DE ACORDO COM A REALIDADE

Para que as pessoas mudem, o ambiente tem que ser diferente, a maneira como o Business Partners age tem que ser diferente. Invistir em ações diferenciadas: proporcionar um ambiente leve, demonstrar que estão juntos nesse processo, falar a verdade sobre o que sente e percebe na organização, dê espaço para que o seu cliente lhe dê um feedback.

Quando os Business Partners investem muita energia em ações e conseguem perceber os resultados, precisa avaliar se as suas atitudes estão sendo, de fato, coerentes com o seu papel. No final das contas, o que todos têm, durante a mudança, é medo de mudar. Quando passam a olhar e, realmente, enxergar os seus clientes, os Business Partners conseguem que os resultados comecem a aparecer, com menos trabalho e de forma muito mais eficaz.

 Franciele Maftum

#éhorademudaromundo

Vídeo Base: 5 responsabilidades dos BPs  em processos de mudanças – 2020 – https://youtu.be/l1E5G2VaW-s