Por que deveríamos falar mais das emoções?

18 de outubro de 2016

“E foi quando tudo estava confuso que ficou ainda mais. Meu peito parecia ficar sem ar, minha garganta apertou, minhas mãos ficaram tremulas e eu me senti sem chão…”

As emoções são reações fisiológicas que existem desde que o mundo é mundo, mas evoluíram e se maquiaram de sentimentos e, entre outras funções, preparam o organismo para alguma reação frente a determinadas situações do ambiente. É como se a emoção dissesse para o corpo: “Está vendo o que está acontecendo agora? Agora aja dessa maneira para resolver isso!”

Em momentos de crise e de cansaço extremo, nossas emoções falham, ou como eu prefiro dizer, curam. Se não fossem elas, já estaríamos mortos, pois as emoções são reguladores da nossa existência, do que não queremos sentir, dar conta ou perceber. Então, nosso sistema límbico nos faz esse favor e desata uma cadeia de emoções, positivas e negativas, para que nosso cérebro e o nosso corpo possam reagir a determinada situação e nos mantenham vivos. Mas o que acontece quando não lidamos com as nossas emoções e tentamos suprimi-las, controlá-las?

Acontece que ou elas tomam conta de nós de outra maneira, por meio das enfermidades físicas e psicológicas, ou nos tornamos frios, distantes e reprimimos as emoções em algum lugar do nosso corpo. Acontece também que, do mesmo lugar que vem as nossas emoções e os nossos sentimentos, vem também o prazer da vida, os momentos de satisfação plena, a serenidade. Portanto, se estancamos a emoção na tentativa de controle ou simplesmente por sobrevivência, estacamos também as nossas possibilidades de sermos plenos, serenos e condutores da nossa própria história.

Costumamos lidar com as emoções reprimidas através de “escapes” que nos geram prazer como comida, bebida, exercício físico, compras, drogas, jogos, riscos, etc.  São compensadores sociais que nos adormecem (as emoções dormem) por um instante. E quanto mais procuramos esses compensadores, mais adormecidos ficamos.

E como é que isso acontece? Acontece em todos os endereços, em nossas casas e no trabalho. Acontece quando ficamos muito irritados, com raiva, agressivos, frustrados, alegres, satisfeitos, confusos. E quanto mais cansados estamos, mais emocionalmente afetados ficamos. Isso quer dizer que o stress e o cansaço nos fazem reagir mais emocionalmente, com maior frequência e é exatamente nesse ponto que entramos em colapso ou que podemos iniciar a nossa cura.

Porque não se afetar pelas coisas não é ter um bom controle emocional, é não entrar em contato com elas. Lidar com as emoções exige percebê-las, saber que elas vêm, reconhecê-las e tentar fazer com que elas não impactem as nossas decisões ou se transformem em compensações. Mas não é quem grita menos que sabe mais fazer isso. E nem tão pouco quem grita mais. É quem sente e se conhece mais.  Se conhece ao ponto de saber que hoje acordou com raiva e essa raiva é de si mesmo, porque está triste com algo que não conseguiu fazer. E então conversa com a raiva e busca alternativas para se perdoar (alternativas conscientes e não compensatórias).

É reconhecer que suas alegrias estão vinculadas a um sentimento de pertença e que suas tristezas a uma sensação de não estar adequado, e lidar com isso. Falar sobre isso.

Porque aí vem outra questão: a solidão não nos ajuda nesse processo. A meditação e a contemplação sim, mas a solidão, o não falar sobre: isso só nos atrapalha. Porque a gente se reconhece na relação, no outro. E o outro tem menos peso nas mãos sobre nós.

É preciso conectar para evoluir! É preciso se conhecer e se RE conhecer para não ser refém de si mesmo! É preciso e é um passo de liberdade e de cura.

Então desejo que hoje você possa olhar para si e para o que está sentindo e reconhecer esses sentimentos, as emoções que vem com eles.  Reconheça com profundidade, com tempo, com silêncio para poder escutar sua alma. E junto com isso, possa olhar para quem está a sua volta e reconhecer o mesmo. Então respire fundo e sinta, com afeto e aceitação. Deixe estar por um momento, faça uma prece pessoal e siga adiante. E que isso se repita toda vez que seu corpo pulsar com maior intensidade o que você sentir que precisa.

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